| 1 x de R$800,00 sem juros | Total R$800,00 |
| 2 x de R$400,00 sem juros | Total R$800,00 | |
| 3 x de R$266,67 sem juros | Total R$800,00 | |
| 4 x de R$237,76 | Total R$951,04 | |
| 5 x de R$191,68 | Total R$958,40 | |
| 6 x de R$160,45 | Total R$962,72 | |
| 7 x de R$138,11 | Total R$966,80 | |
| 8 x de R$121,22 | Total R$969,76 | |
| 9 x de R$108,08 | Total R$972,72 | |
| 10 x de R$97,79 | Total R$977,92 | |
| 11 x de R$89,37 | Total R$983,12 | |
| 12 x de R$82,29 | Total R$987,52 |
Neste cartum, Márcio Leite lança um olhar irônico e sofisticado sobre as relações de poder e controle no ambiente prisional. A cena se passa no hospital da prisão, onde um detento, fragilizado física e simbolicamente, repousa sobre a maca com o braço e a perna engessados.
As ataduras, que deveriam representar cuidado e recuperação, tornam-se também extensões da própria condição de aprisionamento. O elemento central da narrativa surge com a entrada do carcereiro. Em vez de portar apenas as chaves e a autoridade institucional, ele traz consigo tinta e pincel.
O gesto aparentemente banal revela uma camada profunda de significado: o carcereiro pinta listras no gesso do prisioneiro, transformando o curativo em continuidade do uniforme carcerário. Mesmo ferido e fora da cela, o preso continua marcado, identificado e lembrado de sua condição. Com humor sutil e traço econômico, o cartum evidencia que a prisão não se limita às grades físicas. Ela se estende ao corpo, à identidade e à subjetividade do indivíduo. A ação do carcereiro, travestida de cuidado, expõe a naturalização do controle e da vigilância, onde até o ato de curar se confunde com o de punir.
Márcio Leite constrói, assim, uma reflexão silenciosa sobre a dificuldade de ruptura entre liberdade e confinamento. O riso inicial se dissolve em desconforto, convidando o espectador a pensar até que ponto as instituições permitem, de fato, a regeneração ou apenas reforçam as marcas da exclusão.
