1976
Márcio Leite nasceu em Montes Claros, Minas Gerais. É filho de Job e Alzira. Seu pai, militar integrante da Banda de Música do Décimo Batalhão, dedicava-se ao desenho nas horas vagas, produzindo trabalhos a lápis e caneta esferográfica, no estilo primitivista, retratando o cotidiano rural. Sua mãe professora e funcionária pública do Estado. De origem rural, Márcio Leite traz em sua formação fortes referências familiares. Seus avós paternos, Antônio e Maria Virgília, eram naturais do município de Juramento (MG), e seus avós maternos, Silvério Leite e Maria Lopes, do município de Bocaiuva (MG). 

 

1980
INFÂNCIA - Década de 1980
A infância de Márcio Leite, na década de 1980, foi marcada por graves problemas respiratórios. Crises constantes de bronquite e pneumonia, episódios recorrentes de falta de ar, além de idas frequentes a hospitais e internações prolongadas, fizeram parte de seus primeiros anos de vida na cidade mineira de Jequitaí - MG.

MUDANÇA DE ARES
Com o agravamento dos problemas respiratórios, intensificados pela poeira, pela areia e pelos ventos característicos da cidade de Jequitaí, e com o nascimento de suas irmãs gêmeas, Cibele e Sílvia, a família decidiu retornar a Montes Claros. A mudança de cidade foi decisiva e benéfica. Márcio Leite apresentou significativa melhora em sua saúde, passou a residir no bairro de Lourdes e foi matriculado na escola pública Armênio Veloso, onde estudou até o quarto ano do ensino fundamental.

PIPAS COLORIDAS
O céu azul e as nuvens sempre despertaram o interesse de Márcio. Ele passava horas deitado na varanda de casa, observando o céu e se divertindo ao reconhecer formas nas nuvens, como cavalos, elefantes, girafas e monstros que habitavam sua imaginação. Em Montes Claros, especialmente no mês de agosto, além do azul intenso do céu, os ventos eram fortes, e a brincadeira preferida era soltar pipas coloridas. As disputas para cortar a linha do outro eram comuns. Naquela época, o uso de linha com cerol ainda não era proibido, tornando os céus um verdadeiro palco de competição e fantasia.

 

1990
COLÉGIO MILITAR
Na década de 1990, Márcio passou a estudar no Colégio Tiradentes da Polícia Militar. Foi na sala de aula que seu talento começou a ganhar espaço. Alguns professores o convidavam a ir ao quadro para desenhar ilustrações, especialmente nas aulas de Biologia e Geografia. Seus colegas também o incentivavam, solicitando desenhos com frequência, reconhecendo ali uma habilidade diferenciada.

A VENDA
Márcio gostava de frequentar a venda de seu tio Macil, localizada próxima à casa de seus pais. Ali, tinha acesso aos jornais impressos da capital, onde acompanhava diariamente as charges da página dois e as tirinhas do caderno de cultura. Esse contato constante com o humor gráfico foi decisivo. Foi naquele ambiente simples, entre bancas e jornais, que ele tomou a decisão de se tornar cartunista.

TIRANDO AS PESSOAS DO SÉRIO COM HUMOR
Motivado pelo desenho de humor, Márcio passou a fazer caricaturas dos colegas. O resultado eram orelhas grandes, narizes avantajados e olhos esbugalhados. Os desenhos saíam naturalmente caricatos, e acentuar as características marcantes de cada pessoa fazia parte da diversão, tornando cada retrato único e especial. Tão únicos que uma dessas caricaturas acabou levando-o à diretoria, após retratar uma colega que se irritou com o desenho. Foi nesse episódio que Márcio percebeu a força do humor gráfico. Como ele próprio afirma, o humor é capaz de literalmente tirar as pessoas do sério.

TDAH
A habilidade com o desenho ajudou Márcio a superar os desafios do TDAH, Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade, condição ainda pouco compreendida na época. Ele tinha dificuldade para copiar o conteúdo da lousa, ler textos longos e manter a atenção, distraindo-se com facilidade.
Em vez de textos, seus cadernos passaram a ser preenchidos por desenhos que ilustravam as matérias. Essa foi a maneira encontrada por Márcio para compreender e fixar os conteúdos escolares. O desenho não era apenas expressão artística, mas ferramenta de aprendizado e estratégia de sobrevivência acadêmica.

1991

MILK SHAKE
As férias escolares tornaram-se uma excelente oportunidade para juntar dinheiro e comprar sua primeira bicicleta com marchas. Márcio começou a trabalhar na sorveteria Doçura, pertencente a Geraldo e Adélia amigos de seu pai. Entre um atendimento e outro, desenhava com caneta esferográfica nas caixas onde vinham as casquinhas de sorvete. Ali, o humor já se manifestava naturalmente. Como ele próprio brincava, um bom shake tem milk.


1992

CARAS & CARETAS
Após produzir diversas caricaturas de personagens conhecidos da época, como o príncipe Charles, Itamar Franco e outras figuras públicas, Márcio reuniu os desenhos e foi até o Centro Cultural Hermes de Paula para apresentar seu trabalho. O resultado foi a realização de sua primeira exposição, intitulada Caras e Caretas. O nome da mostra foi sugerido pelo jornalista montes-clarense Eduardo Brasil, que, ao lado do músico e compositor Elthomar Santoro, colaborou na montagem da exposição. Caras e Caretas rendeu uma reportagem na TV Montes Claros, realizada pelo jornalista Benedito Said, e abriu portas importantes. Diversos convites de trabalho começaram a surgir a partir dali.

THINNER E MAIZENA
Seu primeiro emprego formal na área foi em uma pequena empresa de silk screen, onde reproduzia, inicialmente em papel vegetal, letras e logotipos para impressão em camisetas. Além dos desenhos, precisava limpar as telas de silk com maisena e thinner. O contato constante com os produtos químicos esfolava suas mãos, tornando inviável a permanência no trabalho.

REI ARTUR
Pouco tempo depois, o jornalista Artur Leite, que havia assistido à reportagem sobre a exposição, convidou Márcio para publicar seus desenhos diariamente no Jornal do Norte, onde atuava como editor. Esse convite marcaria o início de uma nova fase profissional.

 

1993

O JORNAL
Na redação do Jornal do Norte, contratado por Américo Martins, Márcio passou a conviver diariamente com os jornalistas: Felipe Gabrich, Reginauro Silva, Artur Leite, George Nande, Eustáquio Narciso, Manoel Freitas, Elton Jackson, Luiz Carlos Novais, Theodomiro Paulino, Magnus Medeiros, Rodolfo, Hermano Konstantino, Derck Cook, Arthur Jr. e profissionais de editoração gráfica: Cleber Caldeira, Tião, Tereza Cristina, Tereza Silva, Nath, na montagem e impressão gráfica: Tim, Rodney, Tampinha, Zezinho e o diretor de arte, o artista plástico Roberto Marques. Ao perceber o grande potencial artístico de Márcio, Roberto Marques o presenteou com o livro Qualé a do Batman, que aborda a filosofia dos quadrinhos. Roberto tornou-se, mais tarde, uma referência, amigo e incentivador fundamental em sua trajetória. O jornal proporcionou um aprendizado prático e intenso sobre a importância da charge na história política do Brasil e do mundo. Márcio conquistou um espaço valioso na página 2, Opinião, onde publicou diariamente suas charges durante cinco anos. Além disso, ilustrou crônicas de Reginauro Silva e Mauro Santayana e passou a colaborar com a recém-lançada Revista Tempo.